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História

Com Fradelos e Vilarinho das Cambas manteve Ribeirão no passado importantes laços de ruralidade, mas foi na sua ligação às indústrias de Lousado e Trofa que Ribeirão se desenvolveu de forma acentuada a partir da década de 60 com uma população que aliava à pequena agricultura de minifúndio o trabalho na “Mabor”, na “Ita”, na “Sotex”, no “Pinheiro”, na “Fábrica de Linho”, na “Feruni” ou na “Mida”. Daí até à criação do seu próprio parque industrial foi um pequeno passo. Às tradicionais oficinas de metalúrgica, têxteis, confecções e carnes verdes juntaram-se importantes unidades industriais como a “Atma” (já desactivada), a “Ricon”, a “Sasia”, a “Melcor”, a “Facontrofa”, a “Cabelauto” e outras agrupadas nas zonas industriais do Senhor dos Perdões e de Sam e recentemente em funcionamento o “Empreendimento do Lago”.A Vila de Ribeirão é cortada a meio pelo Rio Veirão também conhecido por Ribeiro de Beleco, que nasce nas Pedras Negras em Vilarinho das Cambas e desagua no Ave e esta divisão territorial perdura na memória dos tempos através das expressões “Aquém Rio” e “Além Rio”.

Perdem-se no tempo as referências a esta terra de Ribeirão. O primeiro documento em que aparece registada uma referência data de 1097. É citada como Sancti Mammetis de Ribolo Arian, conforme testemunha Avelino de Jesus Costa, sendo, na opinião deste Sacerdote historiador, o ribeiro de Beleco “ribeiro Arian”, que deu o nome a Ribeirão. Mais tarde, em 1103, há uma referência à Igreja de “Sancto Mamete de Ryovgayram”, segundo um estudo de António Cruz. Veirão seria o nome do ribeiro que desce das Pedras Negras e daí terá nascido Ribeirão com a degradação fonética própria do linguajar popular. É esta a explicação que prevalece hoje faltando talvez um estudo mais aprofundado sobre esta matéria que fundamente por inteiro uma outra explicação para a origem deste toponónimo.

Ribeirão foi uma das freguesias iniciais da Terra ou Julgado de Vermoim. Segundo as Inquirições de 1220 havia nesta freguesia quinze casais reguengos que pagavam à Coroa a terça do pão, a quarta do vinho e direituras (imposto anual por uso de bens pertencentes ao rei). Nestes casais, quem tivesse três ovelhas, ou mais, dava à Coroa um cordeiro ou cabrito; quem tivesse porca, um leitão; dava-se ainda um frangão e um carneiro.

A Paróquia de Ribeirão foi Abadia de Apresentação do Mosteiro de Santo Tirso e os seus párocos eram Abades. Em 1570 era abade Manuel Gonçalves que não residia em Ribeirão e fazia-se substituir por um Cura. Sem se conhecer a explicação para tal facto, em 1588 a Igreja foi confiada ao Colégio de São Bento de Coimbra que passou a receber parte da côngrua e a nomear Reitores. Só em 1865 é que foi novamente conferido o título de Abade ao Padre Manuel Maria Teixeira, agraciado em 1880 pelo Rei D. Luís com o título de Capelão da Casa Real e em 1887 com as honras de cónego honorário da Sé Catedral de Braga.

No inquérito mandado fazer pelo Marquês de Pombal em 1758, Ribeirão aparece referenciado como “uma terra de sua Magestade fidelíssima” com muitas propriedades pertencentes à Casa de Bragança. Ainda hoje existe um marco da Casa de Bragança perto do Antigo Moinho do Vento a delimitar as Freguesias de Ribeirão e Fradelos. Tinha nessa época a Freguesia 118 vizinhos (chefes de família) a que correspondiam 429 pessoas. Das diversas aldeias que compunham a freguesia algumas já não existem como Monte, Pederneira, Giesta, Poças, Reguengo, Giralda e Formiga. Outras existem hoje e delas não há memória nesse documento como Portela, Candeeira, Xisto, Salgueirinhos, Aldeia Nova. Havia em Fradelos quatro aldeias consideradas meeiras, num ano pagavam direitos paroquiais a Ribeirão e noutro ano pagavam a Fradelos. Eram elas: Povoação, Lage, Louvanda e Pedras Ruivas, num total de 78 vizinhos que perfaziam 269 pessoas.

A Igreja situava-se no lugar com o mesmo nome muito perto da actual Igreja, precisamente no local hoje assinalado com um cruzeiro na rotunda construída recentemente junto ao cemitério. Também existia já no tempo do Marquês de Pombal a Capela de Santa Ana com grande devoção popular que se manifestava em preces e procissões sobretudo em épocas de seca ou chuvas destruidoras.

Não é referida a existência de grandes personalidades, nem antiguidades ou privilégios dignos de memória. Além do rio Ave, rodeado de campos cultivados e com três azenhas de moer o pão, refere-se a importância do ribeiro de Ferreiros, que em parte separa Ribeirão de Lousado, com muitas levadas aproveitadas para rega pelos agricultores e o ribeiro que, nascido em Vilarinho de Cambas corre entre os dois Belecos e tem abundância de trutas, escalhos e enguias. Desagua este ribeiro pouco acima da barca da Trofa que dá passagem aos muitos comerciantes e passageiros que circulam na estrada entre Porto e Braga que atravessa Ribeirão pelo meio.

Da história ribeirense do século XIX é de assinalar a construção da ponte pênsil a montante da Barca da Trofa inaugurada em 1858. A ponte Pênsil, da responsabilidade da Companhia de Viação do Minho, estava suspensa sobre o rio – daí o nome – e apoiava os seus extremos em dois enormes Pegões de granito, de altura até ao nível do pavimento da estrada. Estava suspensa por cordões aramados presos e cabos de suspensão, que tinham os seus extremos nas casas dos portageiros. Foi demolida em 1935, por não reunir as condições de segurança necessárias e por ser demasiado exígua. Mas deixou a sua presença bem marcada durante mais de meio século, tornando-se, por via da sua elegância e beleza, um verdadeiro “ex-líbris” da região, assim recordada actualmente tanto por trofenses como por Ribeirenses. Em seu lugar iria ser construída a actual ponte de cimento armado, melhor preparada para o intenso tráfego de uma região e um País em desenvolvimento.

Remontam também ao século XIX as referências de Camilo Castelo Branco nas Novelas do Minho à Terra Negra e à quadrilha de Luís Meirinho, enquanto José Augusto Vieira no Minho Pitoresco refere uma quadrilha de salteadores conhecida como “A malta dos Vendas”. Nas primeiras décadas do século XX as mesmas sinistras façanhas eram atribuídas aos Cabrais. Da mistura da história com a lenda resulta a memória de acontecimentos negros da cor da terra. Fala-se da existência de uma estalagem onde os hóspedes eram atraídos, roubados, assassinados e atirados a um poço. Conta-se que os salteadores reuniam-se na taberna, à hora da missa dominical, para escolher a vítima seguinte. O Oratório do Senhor dos Perdões terá sido mandado erigir por um viajante que escapou à violência dos salteadores. Mais tarde, já no início do século XX, foi construído um lindo santuário, a expensas de um emigrante ribeirense regressado do Brasil, rodeado por um aprazível e harmonioso lugar de oração e lazer, onde anualmente se realiza uma romaria muito concorrida pelas gentes de Ribeirão e das freguesias vizinhas, no último ou no penúltimo Domingo de Agosto.

Falar da história recente de Ribeirão é relembrar o progresso que a partir das décadas de sessenta e setenta se deu nesta freguesia que de uma terra de agricultores e pequenos industriais de têxteis, confecções e metalurgia se foi transformando num importante pólo industrial actualmente em visível expansão. Foi neste dinamismo das suas gentes que impulsionou o crescimento demográfico e económico e permitiu a criação de condições para a sua elevação à categoria de Vila por lei aprovada na Assembleia da Republica em 3 de Julho de 1986 e lhe permite hoje continuar a porfiar pelas condições a que tem direito. Hoje as empresas, as associações e instituições são bem o reflexo deste dinamismo.

A Igreja edificada em 1908 a expensas sobretudo do emigrante brasileiro João José da Silva, quando era Abade o Cónego Manuel Maria Teixeira, substituiu a antiga que já não reunia condições mínimas e era frequentemente invadida pelas águas das cheias do ribeiro. Recentemente, foi ampliada e restaurada e é hoje um belo templo admirado por quem nos visita. Por sua vez junto da igreja foi construído o salão paroquial iniciado na década de 50 com o Padre António Lopes e concluído mais tarde no tempo do padre Henrique Faria que se revelou importante equipamento não só para as actividades paroquiais mas também outras de carácter social e cultural para as quais o salão da Casa do povo já não correspondia.

Ao nível do ensino foram sendo construídas várias escolas primárias contando-se actualmente cinco edifícios distribuídos por Santa Ana, Portela e Aldeia Nova. A primeira, a escola Masculina de Santa Ana, foi obra do benemérito Manuel Machado também emigrante brasileiro no início do século passado. A instalação na década de 80 da Escola do ciclo, hoje EB 2,3 de Ribeirão com escolaridade até ao 9º ano, representou um passo importante desta localidade como pólo aglutinador das freguesias vizinhas no campo da educação e da cultura.

Ao nível do apoio social surgiu a Creche, o Jardim de Infância, o Centro de Dia e o Lar de Idosos da responsabilidade do Centro Social Paroquial; o Centro Social de Educação Sol Nascente com apoio à infância; o Núcleo da Cruz Vermelha de Ribeirão com apoio a toda a população particularmente a doentes e idosos.

Ao nível desportivo os Ribeirenses viram nascer o Campo de Jogos do Passal, construído em terrenos da paróquia, e que hoje apresenta um bem tratado relvado com bancas e balneários funcionais e que serve de suporte à equipa do Grupo Desportivo de Ribeirão. Também o atletismo tem relevo em Ribeirão representado pelo Clube de Cultura de Desporto de Ribeirão com equipas em todos os escalões de formação e também ao nível dos seniores com muitos êxitos a nível regional e nacional apesar das fracas condições de treino pois espera-se ainda pela construção da tão desejada pista de atletismo.

Ao nível Cultural muito Ribeirenses revêem-se na qualidade dos seu Rancho Etnográfico, recebem desde 1989 mensalmente o Jornal “Viver a Nossa Terra”, editado pelo Clube de Cultura e Desporto de Ribeirão e podem frequentar desde 1994 a escola de iniciação musical também de responsabilidade do CCDR. São dignos de referência também ao nível social a construção de um edifício de raiz onde funciona a Extensão de Saúde, muitos anos a usar sem condições as já então degradadas instalações da Casa do Povo, bem como a sede da Junta de Freguesia, a Casa Mortuária e o Posto de Correios.

É por tudo isto e muito mais que aqui não é referido que a vila de Ribeirão é hoje uma terra progressiva, prenhe de vida, mas carente ainda de algumas infraestruturas e equipamentos a que os seus laboriosos habitantes têm direito e pelos quais anseiam com renovadas esperanças.

 
 
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